Rituais simbólicos
- Pedim Guimarães
- 4 de jan.
- 1 min de leitura

Quando se fala em ritual, talvez o termo remeta à magia, celebrações que envolvam magos, bruxas, feitiços e correlatos. Na verdade, lidamos com rituais mais do que imaginamos. O jogador Cristiano Ronaldo executa um ritual antes de cobrar uma falta: geralmente, dá quatro passos para trás e um para o lado (ajustando a posição) antes de bater, com o quinto passo sendo o ajuste final antes da corrida para a bola, numa técnica que ele aprimorou e se tornou sua marca registrada, posicionando-se levemente na diagonal da bola. Antes de você, leitor, tomar banho, faça algo corriqueiro; antes de uma prova, antes de dormir, a famosa festa de quinze anos das meninas equivale a um ritual, rito de passagem.
Sou adepto de rituais, não nego; além disso, acho que possuem caráter simbólico. Você já deve ter ouvido falar de alguém que queimou livros do ensino médio ou a farda de um emprego. Houve uma faxina em casa e me perguntaram se eu queria duas canecas de um projeto no qual participei, um dos maiores fracassos da minha vida. Aí me perguntei: “por que ainda guardei?” Não obtive resposta. Cada vez que eu olhava para a caneca, lembrava do quão frustrante foi a experiência. Dinheiro e energia são recuperáveis, mas e o tempo? Não tem como, pelo menos não com a nossa tecnologia atual.
Peguei as duas canecas, me desloquei a um local seguro, quebrei-as sem hesitar, como quem encerra de vez um ciclo; o barulho da porcelana rachando soou como a quebra de corrente, esta que ainda reverberava em minha consciência. Com um ritual simbólico, que talvez pareça besta para você, me senti livre.




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