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Autoconhecimento e julgamento

  • Foto do escritor: Pedim Guimarães
    Pedim Guimarães
  • 23 de jan.
  • 3 min de leitura

Autoconhecimento e julgamento


Considero que todo mundo possui dois grandes inimigos: tempo e nós mesmos. O tempo vence tudo e todos; apesar dos esforços científicos, não há como escapar dele. Desejado como o maior adversário de todos, é, entretanto, tido como um grande remédio para certas dores da alma. Quanto à disputa conosco, teremos vitórias, derrotas e empates ao longo de nossa jornada. Assim, cada pessoa tem o seu rival direto e particular.

"Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses": eis um famoso aforismo grego gravado no Templo de Apolo em Delfos, muito citado como autoria de Sócrates. Esse ditado enfatiza que o autoconhecimento é a chave para entender o mundo e a verdade, revelando nossa essência divina e a ordem universal por meio de introspecção profunda, não apenas pela reflexão interior passiva, mas pelo viver em si. Quão difícil é conhecer a si mesmo!

Se partirmos do pressuposto que somos nosso próprio inimigo, e que conhecimento é poder, conhecer a si mesmo equivale a fornecer munição ao inimigo: identificar os pontos fracos, saber onde atacar para maximizar o dano. Pelo visto, não bastaria se conhecer, mas também se compreender e ser gentil consigo. Outra grande dificuldade!

Não acredito que as redes sociais sejam maléficas por si só. Uma faca serve para cortar ou perfurar, o que pode ser aplicado a alimentos e a pessoas. O avião foi concebido para transportar pessoas e produtos, encurtar distâncias; todavia, foi utilizado para lançar bombas que ceifaram muitas vidas. Um conteúdo de internet pode estimular ou motivar, mas um espectador pode interpretá-lo de outra forma.

Cada usuário falará do que vê nas redes sociais de forma singular, pois o feed dessas plataformas possui um fluxo contínuo e personalizado de conteúdos — fotos, vídeos e textos — atualizado conforme o algoritmo para exibir o mais interessante para o usuário. Há alguns pontos quase uníssonos; um deles é a procura por alto rendimento, independentemente da área, seja artística, esportiva, profissional ou afetiva.

Pois bem, nessas rolagens pelos feeds durante os momentos no trono, intervalos fecais diários, vi um influenciador mencionar que um tempo razoável para se correr cinco quilômetros seria de trinta a trinta e cinco minutos para iniciantes, o que conferiu com a pesquisa que fiz junto ao Google. Fiquei com essa fixação, tenho corrido mais em esteiras, afinal, ando sem paciência para esse esporte; além disso, há um bocado de anime para assistir, sempre buscando essa distração. Esteira e relógio enganam um pouco o resultado; eu sabia que estava um tanto abaixo da média do iniciante. Um dia não pude treinar na esteira e fui para a praça. Comecei a atividade física; resumo: meu desempenho foi pífio, comecei a me sentir um lixo, mesmo sabendo que havia feito um treino pesado de membros inferiores no dia anterior — quem pratica musculação sabe que a dor chega no dia seguinte — portanto, algo que influenciou. Mesmo assim, me senti péssimo; eu corria até bem, cheguei a realizar percursos de dez quilômetros, isso há mais de dez anos e com vários quilos a menos.

Em conversas com algumas pessoas sobre o episódio fatídico, percebi que minhas lamúrias eram infundadas. O melhor veio do homem mais forte do mundo, meu irmão, que comentou estar conseguindo correr um pouco, ter superado as dores no joelho, e estar satisfeito e otimista com sua marca; o tempo da corrida foi um pouco menos de vinte minutos. Refleti comigo: há cerca de dois anos, eu mal conseguia ficar em pé sem sentir dores no tornozelo. Mais ou menos nesse período, telefonei chorando para meu irmão, reclamando da condição em que me encontrava e tendo que desistir de algumas atividades que me faziam muito bem. Ele me confortou, recomendou calma, assegurou que, aos poucos, eu voltaria a fazê-las, sugeriu alguns exercícios e passou umas recomendações, tenho seguido como posso.

Após a minha indignação comigo mesmo, comecei a pensar em outros feitos meus, sobretudo em pesos levantados, alongamentos e no retorno gradual de algumas atividades; talvez eu não esteja tão ruim quanto imagino. Acho que talvez eu tenha ganhado um round contra mim, ou talvez tenha sido empate, né?

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